Frédéric Bastiat escreveu um livro precioso chamado O QUE SE VÊ E O QUE NÃO SE VÊ, no qual diz que na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei, não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Mas só o primeiro efeito é imediatamente visível. Os outros efeitos só aparecem depois e não são visíveis.

Exemplos temos aos montes. A chuva que faz um lamaceiro. O prefeito manda asfaltar as ruas, o povo fica feliz. Mas o asfalto serve como um impermeabilizante, quando a chuva cai outra vez, em vez de barreiro vem uma enchente e a situação fica muito pior. O que se vê? O asfalto reluzente, o fim do barreiro e as pessoas felizes. O que é que não se vê? Todas consequências da aparente melhoria.

O mau planejador se detém no efeito que se vê, o bom leva em conta também aqueles que só dá para prever.

Bastiat diz que, quase sempre, quando a consequência imediata – aquela que se vê – é favorável, as consequências posteriores, as que não se veem – são funestas. E vice versa. Daí dá para concluir que o mau planejador, ao perseguir um benefício no presente, está gerando um grande mal no futuro. Já o verdadeiro planejador, ao perseguir um grande benefício no futuro, corre o risco de provocar um mal no presente.

Neste momento em que para deter uma epidemia os planejadores congelam completamente as cadeias logísticas de suprimentos, de medicamentos e até de alimentos, ler Bastiat faz explodir os miolos.

Tá todo mundo assustado com o que se vê.

Eu tenho medo é do que não se vê.

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