O psicólogo e pedagogo canadense Albert Bandura apontou a linguagem eufemística como um dos mecanismos de desengajamento moral que suavizam palavras ou expressões consideradas rudes ou desagradáveis.

Você usa eufemismos desde que começou a falar. Por exemplo, chamando pênis de “piu-piu”. Não suaviza?

O eufemismo dá alívio moral.

A forma mais eficiente de eufemismo é a higienização, quando atividades perniciosas são disfarçadas de ações inocentes ou pelo bem de todos. Chamar “invasão” de “ocupação”, por exemplo. Na Odebrecht, o Departamento de Propinas foi chamado de “Departamento de Negócios Estruturados”. Nas guerras, “danos colaterais” são usados no lugar de “morte de civis inocentes”. Você sentiu a pegada? “Danos colaterais” parece para-lamas amassado, não é? Já “morte de civis” é assassinato.

Racionalizar a conduta delituosa, é disso que trata o Desengajamento Moral.

Bandura disse assim: “Todas as pessoas são capazes de construir ideologias morais para justificar seus comportamentos, e geralmente tendem a convencer a si e aos outros de seus princípios conforme lhes convêm.”

Viu só? Eu não sei se você reparou, mas “todas as pessoas” incluem eu… e você.

Quando você muda o rótulo, pode até mudar o sentido da ação.

Mas o resultado permanece o mesmo.

 

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