Compareci a um jantar em homenagem a um colega que estava se aposentando após dirigir por anos uma empresa que fazia parte do grupo no qual trabalhei por 26 anos. Fui recebido com uma profusão de sorrisos e abraços, cabelos brancos, barrigas e traços envelhecidos, mas o mesmo velho calor humano.

Quando entrei na sala de jantar fui encaminhado para uma mesa reservada. A mesa da velha guarda. “Velha guarda” foi uma bofetada.

Enquanto eu assistia ao vídeo em homenagem ao colega que deixava a empresa, minha carreira passava diante de meus olhos. Lembrei-me da ansiedade com que, aos 26 anos de idade, caprichei na feitura de meu “curriculum vitae” para tentar emprego numa multinacional, quase quarenta anos atrás!

Então veio à minha mente Rubem Alves, sempre ele, que um dia escreveu assim:

“Um curriculum vitae é uma enumeração dos lugares por onde se passou, na correria da vida. As coisas que ele registra não existem mais. O que é passado está morto. Assim, na minha homepage, ao invés de curriculum vitae eu escrevi curriculum mortis, porque eu não sou o meu passado. Eu sou o meu agora”.

Naquele momento eu mudei minha atitude. Para mim, aquela deixou de ser a mesa da velha guarda para ser a mesa onde estavam velhos amigos cheios de planos, sonhos e com energia para fazer acontecer.

Tudo que fiz em minha carreira serviu para construir a minha história, para definir quem eu sou e do que sou capaz. Sou grato àqueles que me homenageiam pelo meu passado, que reconhecem minha contribuição, aos que valorizam o tempo que permaneceram ao meu lado, aos que acham que aprenderam algo comigo. 

Mas isso passou. Não existe mais. O que importa é o que eu farei amanhã.

Me aguardem.

 

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