O jornalista J.R.Guzzo escreveu que “Está crescendo rapidamente no Brasil um novo totalitarismo. Uma de suas taras é a seguinte: temos de salvar a democracia proibindo a manifestação das opiniões que achamos antidemocráticas. Resumo da ópera: ou você pensa o que a gente aprova ou então fica em casa e cala a boca.”
 
Guilherme Fiúza escreveu que “Essa democracia que já sobreviveu a prepotentes e larápios tem agora uma novidade quente: personagens que sempre se disseram liberais aparecem dizendo que a manifestação A pode, mas a manifestação B não pode. Como não têm coragem de dizer que não pode, dizem que um determinado ato público – que eles não poderiam saber o que é antes de acontecer – contém motivação autoritária; que pode ser um golpe contra as instituições; que é mais democrático ficar em casa.”
 
Bertrand Russel dizia que “O medo coletivo estimula o instinto de manada, e tende a produzir a ferocidade contra aqueles que são considerados não membros do grupo.”
 
Uma democracia totalitarista baseada no medo. É para isso que estamos indo?
 
No livro The Argument Culture, a autora Debora Tannen define a “ética da agressão”: passamos a valorizar as táticas agressivas pelo prazer de discutir, de confrontar, especialmente se existir uma plateia. Os que buscam a conciliação são os bobos, os manés...
 
E quando a imprensa entra no jogo, colocando lenha na fogueira, rotulando, tirando frases do contexto e incentivando o confronto, o bicho pega de vez.
 
De acordo com Tannen, as relações humanas nos obrigam a encontrar maneiras de obter dos outros o que desejamos, sem parecer que os estamos dominando. Quando agimos como adversários, inimigos, é muito fácil criar uma tensão, uma antipatia, um ressentimento, que permanecerão vivos mesmo depois de resolvida a questão. Assim, da próxima vez que encontrar meu adversário, não perderei a chance de me vingar da derrota passada. E passarei a avaliar suas propostas não pelo mérito das ideias, mas pela intenção de derrotá-lo.
 
Entendeu o que está acontecendo?
Share | Download(Loading)